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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A Canção Tocou na Hora Errada


A sofreguidão da música popular brasileira contrastando a fabulação dos
minutos que antecederam a morte da poetisa Ana Cristina César.


Andava exaustivamente pelo apartamento à procura de um canto em que pudesse clarear sua mente atormentada, mas não o encontrava.

Tripudiava em seu próprio corpo e clamava aos deuses algum perdão pela triste inquisição na qual vivia. Pobre Ana Cristina ligava o rádio e chorava sozinha.

Eram duas da madrugada, o apartamento dormia em sua inquietude, enquanto numa rebelião de vozes o Céu e a Terra invadiam seu ser. O acaso contemplava sua doce desesperança e nas mãos da fada da noite alumiava a vara de condão dos desesperados, que choravam a casta solidão, amarela, opaca, mas que não deixava de ser solidão. As paredes pareciam comprimir seus pulmões, fazendo-a se sentir como alguém que prendera um dedo na porta.

Dor, meu deus, quanta dor.

Ana C.,como era conhecida, tinha como companhia somente ele, o rádio, um tanto velho, gasto. Já não havia brilho, tão pouco a vitalidade que tinha no auge dos anos 70. Apenas ele naquelas tantas noites cessou seu pranto, amou-a de modo perfeito, ele compreendia seus anseios e nas incontáveis noites de loucura ofertava-lhe uma canção de Maysa e tudo ficava bem. Ela reconhecia na voz de Maysa a mesma nostalgia que a tornara louca.

De repente o tempo correu como louco por entre as faixas onde só os transeuntes tinham passagem livre e o badalar anunciava do alto do 10º andar aquilo que a jovem tanto sonhava.

Seu amigo rádio naquele momento não lhe acalmava, não lhe entendia, não lhe amava como deveria amar.

Ana C. enxergou pelo negro olho da janela um convite tentador — abriu os braços e dissolveu-se santa no ar. "Viram-se os barcos afundando e o filete de sangue na gengiva".

A canção de Maysa tardou a tocar.

Ariana Segantim

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Adélia Prado


Eu quero uma licença de dormir,
perdão pra descansar horas a fio,

sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho.

Quero o que antes da vida foi o sono profundo das espécies,

a graça de um estado.

Semente.

Muito mais que raízes.

Adélia Prado

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Ana C.


Abri curiosa
o céu.
Assim, afastando de leve as cortinas.
Eu queria rir, chorar,
ou pelo menos sorrir
com a mesma leveza com que
os ares me beijavam.
Eu queria entrar,
coração ante coração,
inteiriça,
ou pelo menos mover-me um pouco,
com aquela parcimônia que caracterizava
as agitações me chamando.

Eu queria até mesmo
saber ver,
e num movimento redondo
como as ondas
que me circundavam, invisíveis,
abraçar com as retinas
cada pedacinho de matéria viva.

Eu queria
(só)
perceber o invislumbrável
no levíssimo que sobrevoava.

Eu queria
apanhar uma braçada
do infinito em luz que a mim se misturava.

Eu queria
captar o impercebido
nos momentos mínimos do espaço
nu e cheio.

Eu queria
ao menos manter descerradas as cortinas
na impossibilidade de tangê-las.

Eu não sabia
que virar pelo avesso
era uma experiência mortal.


Ana Cristina César

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Stela do Patrocínio



Eu era gases puro, ar, espaço vazio, tempo
Eu era ar, espaço vazio, tempo
E gazes puro, assim, ó, espaço vazio, ó
Eu não tinha formação
Não tinha formatura
Não tinha onde fazer cabeça
Fazer braço, fazer corpo
Fazer orelha, fazer nariz
Fazer céu da boca, fazer falatório
Fazer músculo, fazer dente

Eu não tinha onde fazer nada dessas coisas
Fazer cabeça, pensar em alguma coisa
Ser útil, inteligente, ser raciocínio
Não tinha onde tirar nada disso
Eu era espaço vazio puro

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Caio Fernando - Trecho

De repente estou só. Dentro do parque, dentro do bairro, dentro da cidade, dentro do estado, dentro do país, dentro do continente, dentro do hemisfério, do planeta, do sistema solar, da galáxia - dentro do universo, eu estou só. De repente. Com a mesma intensidade estou em mim. Dentro de mim e ao mesmo tempo de outras coisas, numa sequência infinita que poderia me fazer sentir grão de areia. Mas estar dentro de mim é muito vasto [...].

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Estrela Suicida - Marina Tsvetaeva

Começo aqui uma série de Estrelas suicidas, muito contrária as pessoas que se apavoram ou/e se esquivam do assunto, o tema suicídio me atrai profundamente, tomando minha atenção para saber detalhes do que levou a pessoa a chegar nele. No Orkut há a comunidade Estrela Suicidas, onde postamos o suicida e alguns trechos sobre ou poesias. No Monster começo com a Marina Tsvetaeva, que vim conhecer suas poesias recentemente.


Marina Tsvetaeva nasceu em Moscou em 1892 e, após uma vida condicionada por
trágicas circunstâncias, suicidou-se em Kazan, em 1941. Filha de um filólogo
ilustre, de origem plebéia, professor universitário e fundador do Museu Puchkin,
e de uma musicista, de ascendência alemã, aristocrata, teve sua infância
marcada, como ela mesma diz, pelo exemplo de dedicação ao trabalho e pelo culto
à natureza (pai), ao mesmo tempo que pelo amor à música e à poesia (mãe). Aos
dezesseis anos tem seu primeiro livro de poemas acolhido pela crítica (Volóchin,
Briussov) como uma revelação.

A partir deste momento abandona seus
estudos musicais e dedica-se
em definitivo à poesia. Conhece a fundo a
lírica européia de seu tempo (especialmente a alemã e a francesa), mas são seus
conterrâneos (Blok, Akhmatova, Biéli, Mandelstamm, Maiakóvski), a
Rússia e
seus temas que suscitam a pujança de sua expressão poética.

Força e
refinamento junto de uma intrigante angulosidade e diversidade de estilo e de
argumento, aliados a uma expressão rítmica das mais felizes situam-na, na
moderna poesia russa, entre seus últimos grandes representantes: Pasternak,
Mandelstamm e Akhmatova.

Aurora Bernardine publicada na Revista ATRAVÉS
1 de janeiro de 1983 - Editora Martins Fontes.




Aqui uma poesia com duas traduções

À VIDA

Não roubarás minha cor
Vermelha, de rio que estua.
Sou recusa: és caçador.
Persegues: eu sou a fuga.

Não dou minha alma cativa!
Colhido em pleno disparo,
Curva o pescoço o cavalo
Árabe -
E abre a veia da vida.

(Trad. Haroldo de Campos)


À VIDA

Não colherás no meu rosto sem ruga
A cor, violenta correnteza.
És caçadora - eu não sou presa.
És a perseguição - eu sou a fuga.
Não colherás viva minha alma!
Acossado, em pleno tropel,
Arqueia o pescoço e rasga
A veia com os dentes - o corcel
Árabe

(Trad. Augusto de Campos)


fonte

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

poetisa. poeta. poematéria




"É crua a vida. Alça de tripa e metal. [...] "

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009



Ontem foi aniversário de morte, hoje a data de nascimento de Clarice Lispector.


[...] Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros.

Clarice Lispector

A Descoberta do Mundo - trecho


Desculpe eu estar errando tanto na máquina. Primeiro é porque minha mão direita foi queimada. Segundo, não sei por quê.
Agora um pedido: não me corrija. A pontuação é a respiração da frase, e minha frase respira assim. E, se você me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar.

Escrever é uma maldição.

Clarice Lispector,A Descoberta do Mundo

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Mother - tradução


Hoje é aniversário de morte de John Lennon e esta música escutei recentemente e ontem de novo e ela está na cabeça. Então escolhio essa mesmo.



Mother
Mother, you had me, but I never had you
I wanted you, you didn't want me
So I, I just got to tell you
Goodbye, goodbye
Father, you left me, but I never left you
I needed you, you didn't need me
So I, I just got to tell you
Goodbye, goodbye


Children, don't do what I have done
I couldn't walk and I tried to run
So I, I just got to tell you
Goodbye, goodbye

Mama don't go
Daddy come home



Mãe
Mãe, você me teve, mas eu nunca a tive
Eu te quis, você não me quis
Então eu, eu apenas tenho que lhe falar
Adeus, adeus,
Pai, você me deixou, mas eu nunca o deixei
Eu precisei de você, você não precisou de mim
Então eu, eu apenas tenho que lhe falar
Adeus, adeus

Crianças, não façam o que eu fiz
Eu não pude caminhar e eu tentei correr
Então eu, eu apenas tenho que lhes falar
Adeus, adeus,

Mamãe não vá
Papai vem para casa


segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Ana Cristina Cesar


jardins inabitados pensamentos
pretensas palavras em
pedaços
jardins ausenta-se
a lua figura de
uma falta contemplada
jardins extremos dessa ausência
de jardins anteriores que
recuam
ausência freqüentada sem mistério
céu que recua
sem pergunta

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Martha Medeiros


socorram-me
coloco
uma
palavra
em
cada
linha,
e
estou
sozinha.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Trecho : A Descoberta do Mundo- Clarice Lispector


O hábito tem-lhe amortecido as quedas. Mas sentindo menos dor, perdeu a vantagem da dor como aviso e sintoma. Hoje em dia vive incomparavelmente mais sereno, porém em grande perigo de vida: pode estar a um passo de estar morrendo, a um passo de já ter morrido, e sem o benefício de seu próprio aviso prévio.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Fisionomia - Ana Cristina Cesar


Não é mentira
é outra
a dor que dói
em mim
é um projeto
de passeio
em círculo
um malogro
do objeto
em foco
a intensidade
de luz
de tarde
no jardim
é outra
outra a dor que dói.

(Ana Cristina Cesar)

terça-feira, 24 de novembro de 2009

trecho - Caio Fernando Abreu


Hoje pensei sério: se me perguntassem o que mais desejo na vida, não saberia responder. Quero tudo. Mas esse "tudo" é tão grande, tão vago, que me sinto estonteado. É preciso ir limitando meu sonho, apagando as linhas supérfluas, corrigindo as arestas, até restar somente o centro, o âmago, a essência. Mas qual será esse centro, meu Deus, que não encontro?"

(Caio Fernando Abreu, Limite Branco)

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

O que há - Álvaro de Campos


O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,

Cansaço...

(Álvaro de Campos - Heterônimo de Fernando Pessoa)

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Filmes dos últimos dois dias



Hora de Voltar
titulo original: (Garden State)
lançamento: 2004 (EUA)
direção: Zach Braff
atores: Zach Braff , Peter Sarsgaard , Alex Burns , Jackie Hoffman , Michael Weston
duração: 109 min
gênero: Drama

sinopse:
Andrew Largeman (Zach Graff) é um ator de televisão razoavelmente bem sucedido, que vive em Los Angeles e leva sua vida num estado de torpor induzido por lítio há anos. Após a morte de sua mãe ele decide retornar à sua casa em Garden State, a qual não via há 9 anos. Mesmo distante por tanto tempo, Andrew não conseguiu escapar da dominação de seu pai, Gideon (Ian Holm). Preocupado em ter que retornar para casa após tanto tempo, ele encontra pelas esquinas de sua cidade-natal antigos conhecidos, que lhe relembram bons momentos de quando morava no local.
fonte: Adoro Cinema
Gostei do filme, da história do rapaz, da atriz famosa que por mais que seus papéis sejam parecidos ela consegue se colocar em cada filme que faz. O final, talvez meio previsível. Talvez porque pensei que a guria iria morrer, mas logo já defini-se a história e passei a despensar isso e imaginar o final óbvio.
ps. Trilha Sonora muito boa!



Bodas de Papel
País de Origem: Brasil
Gênero: Drama
Classificação etária: Livre
Tempo de Duração: 102 minutos
Ano de Lançamento: 2006

Sinopse

Candeias é uma pequena cidade do interior de São Paulo, esvaziada para a construção de uma usina hidrelétrica. Ali vive Nina (Helena Hanaldi), que passou boa parte de sua infância na companhia do avô, dono do único hotel da cidade, e que não resiste à mudança para a capital e acaba morrendo. Anos depois, Nina lê no jornal que o governo desistiu do projeto da hidrelétrica. Candeias, então, ainda com ares de cidade fantasma, vai aos poucos readquirindo vida, com o retorno de alguns moradores, entre eles Nina, que decide reformar e administrar o hotel do avô e acaba vivendo uma história de amor com um arquiteto argentino (Darío Grandinetti).
fonte: InterFilme
Gostei, de como a personagem se coloca, de como as coisas foram acontecendo parecendo planejadas e sem ser. De todo desenrolar que vai dando margem às especulações. Fiquei triste, mas não deixou a desejar o desfecho.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

The Great Gig On The Sky - Pink Floyd






"And I am not frightened of dying,
any time will do, I don't mind.
Why should I be frightened of dying?
There's no reason for it,
you've gotta go sometime."
"I never said I was frightened of dying."

"If you can hear this whispering you are dying..."

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Lady Lazarus

imagem @emiliebjork


Sylvia Plath
Lady Lazarus

I have done it again.
One year in every ten
I manage it–

A sort of walking miracle, my skin
Bright as a Nazi lampshade,
My right foot

A paperweight,
My face a featureless, fine
Jew linen.

Peel off the napkin
O my enemy.
Do I terrify?–

The nose, the eye pits, the full set of teeth?
The sour breath
Will vanish in a day.

Soon, soon the flesh
The grave cave ate will be
At home on me

And I a smiling woman.
I am only thirty.
And like the cat I have nine times to die.

This is Number Three.
What a trash
To annihilate each decade.

What a million filaments.
The peanut-crunching crowd
Shoves in to see

Them unwrap me hand and foot–
The big strip tease.
Gentlemen, ladies

These are my hands
My knees.
I may be skin and bone,

Nevertheless, I am the same, identical woman.
The first time it happened I was ten.
It was an accident.

The second time I meant
To last it out and not come back at all.
I rocked shut

As a seashell.
They had to call and call
And pick the worms off me like sticky pearls.

Dying
Is an art, like everything else.
I do it exceptionally well.

I do it so it feels like hell.
I do it so it feels real.
I guess you could say I’ve a call.

It’s easy enough to do it in a cell.
It’s easy enough to do it and stay put.
It’s the theatrical

Comeback in broad day
To the same place, the same face, the same brute
Amused shout:

‘A miracle!’
That knocks me out.
There is a charge

For the eyeing of my scars, there is a charge
For the hearing of my heart–
It really goes.

And there is a charge, a very large charge
For a word or a touch
Or a bit of blood

Or a piece of my hair or my clothes.
So, so, Herr Doktor.
So, Herr Enemy.

I am your opus,
I am your valuable,
The pure gold baby

That melts to a shriek.
I turn and burn.
Do not think I underestimate your great concern.

Ash, ash–
You poke and stir.
Flesh, bone, there is nothing there–

A cake of soap,
A wedding ring,
A gold filling.

Herr God, Herr Lucifer
Beware
Beware.

Out of the ash
I rise with my red hair
And I eat men like air.

Mariana Ruggieri
Lady Lázaro

Eu o fiz de novo
Um ano em cada dez
Eu agüento

Um tipo de milagre ambulante, minha pele
Brilhante tal qual um abajur nazista
Meu pé direito

Um peso de papel,
Minha face, como um pano inexpressivo, delicado
Em linho judeu.

Tire o lenço
Ó, meu inimigo
Eu te assusto?

O nariz, o orifício ocular, a dentição plena?
O hálito azedo
Se esvairá em um dia.

Logo, logo a carne
Que a gruta do túmulo comeu se sentirá
Em casa sobre mim

E eu, uma mulher sorridente.
Eu, com apenas trinta anos.
E como o gato tenho nove vezes para morrer

Esta é o número três.
Que lixo
Aniquilar a cada década.

Que milhões de filamentos.
A multidão vulgar
Se acotovela para ver

Eles me desembrulharem mão e pé.
O grande strip tease.
Senhores, senhoras

Eis as minhas mãos
Eis os meus joelhos.
Posso ser pele e osso

Contudo, sou a mesma, idêntica mulher.
Na primeira vez que aconteceu eu tinha dez anos.
Foi um acidente.

Na segunda vez eu pretendi
Agüentar e nem sequer voltar.
Eu fechei em pedra

Como uma concha do mar.
Eles tiveram que chamar e chamar
E arrancar de mim os vermes, pérolas grudentas.

Morrer
É uma arte como todo o resto.
Eu o faço excepcionalmente bem.

Eu o faço para saber o inferno.
Eu o faço para saber a real.
Eu suponho que se possa dizer que eu tenho um chamado.

É fácil fazê-lo em uma cela.
É fácil fazê-lo e permanecer estático.
É o teátrico

Retorno, em plena luz do dia
Ao mesmo lugar, ao mesmo rosto, aos mesmos brutos
Entretidos gritando

“um milagre!”
Isso me estarrece.
Há um custo

Para ver as minhas cicatrizes, há um custo
Para sentir o meu coração
Ele realmente pulsa.

E há um custo, um grande custo
Por uma palavra, ou um toque
Ou um pouco de sangue

Ou um pedaço do meu cabelo ou um pedaço da minha roupa.
Então, então, Herr Doktor.
Então, Herr Inimigo.

Eu sou sua composição
Eu sou seu pertence
O bebê de ouro puro

Que derrete a um grito estridente.
Eu me viro e ardo.
Não pense que eu subestimo sua grande preocupação.

Cinzas, cinzas
Você cutuca e revolve.
Carne, osso, não há nada lá.

Um sabonete,
Uma aliança,
Um dente de ouro.

Herr Deus, Herr Lúcifer
Cuidado
Cuidado.

De dentro das cinzas
Eu desponto, meu cabelo em fogo
E devoro homens como ar.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

I'm Goin' Down-Bruce Springsteen

Well lately,
when I look into your eyes
I'm goin' down

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