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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Stela do Patrocínio



Eu era gases puro, ar, espaço vazio, tempo
Eu era ar, espaço vazio, tempo
E gazes puro, assim, ó, espaço vazio, ó
Eu não tinha formação
Não tinha formatura
Não tinha onde fazer cabeça
Fazer braço, fazer corpo
Fazer orelha, fazer nariz
Fazer céu da boca, fazer falatório
Fazer músculo, fazer dente

Eu não tinha onde fazer nada dessas coisas
Fazer cabeça, pensar em alguma coisa
Ser útil, inteligente, ser raciocínio
Não tinha onde tirar nada disso
Eu era espaço vazio puro

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Caio Fernando - Trecho

De repente estou só. Dentro do parque, dentro do bairro, dentro da cidade, dentro do estado, dentro do país, dentro do continente, dentro do hemisfério, do planeta, do sistema solar, da galáxia - dentro do universo, eu estou só. De repente. Com a mesma intensidade estou em mim. Dentro de mim e ao mesmo tempo de outras coisas, numa sequência infinita que poderia me fazer sentir grão de areia. Mas estar dentro de mim é muito vasto [...].

terça-feira, 24 de novembro de 2009

trecho - Caio Fernando Abreu


Hoje pensei sério: se me perguntassem o que mais desejo na vida, não saberia responder. Quero tudo. Mas esse "tudo" é tão grande, tão vago, que me sinto estonteado. É preciso ir limitando meu sonho, apagando as linhas supérfluas, corrigindo as arestas, até restar somente o centro, o âmago, a essência. Mas qual será esse centro, meu Deus, que não encontro?"

(Caio Fernando Abreu, Limite Branco)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Alcoólicas - Hilda Hilst

É crua a vida. Alça de tripa e metal.

Nela despenco: pedra mórula ferida.

É crua e dura a vida. Como um naco de víbora.

Como-a no livor da língua

Tinta, lavo-te os antebraços, Vida, lavo-me

No estreito-pouco

Do meu corpo, lavo as vigas dos ossos, minha vida

Tua unha plúmbea, meu casaco rosso.

E perambulamos de coturno pela rua

Rubras, góticas, altas de corpo e copos.

A vida é crua. Faminta como o bico dos corvos.

E pode ser tão generosa e mítica: arroio, lágrima

Olho d'água, bebida. A Vida é líquida.

(Alcoólicas - I)

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Zombies aterrorizam feriado?

Zombies caminhando, grunhido pelas ruas, hordas animadas e quem sabem até uma homenagem para o zombie rei do pop?
Bom eu gostaria muito de participar da Zombie Walk, mas não será possível então deixo aqui um listinha curta para preencher o feriado.
Não tenho uma lista vasta, existe muitos filmes que ainda quero ver com a temática. Mas a maioria dos poucos já visto por mim, gostei.






Extermínio – (28 days later-2002)
Assisti partes numa primeira vez, numa segunda peguei pela metade e dublado. Loquei a sequência e me decepcionei, tirando a fotografia em algumas partes o filme não tem história. Passado um tempo loquei Extermínio e assisti legendando o que melhorou muito e pude ver inteiro.
Para saber mais antes de assistir extermínio no boca do inferno






DIA DOS MORTOS (Day of the Dead-1985)


Filme que usei a rede para ter acesso. Gostei, gosto desses filme quando mostram as pessoas reagindo ao um acontecimento coletivo.











A volta dos mortos vivos (The Return of the Living Dead-1985)
Mais um dos antigos, e vale assistir desde do 1 até...toda a sequência. Trashezinho clássico.






Essa foi uma listinha simplória.



Otto; or Up with Dead People, 2008

Antes de ir, último filme de zombie que assisti. Ri, me diverti com algumas situações e o saldo final é que mesmo não sendo como um dos que coloquei acima, gostei também. Não foi só divertimento, rolou um beliscão no preconceito que come a sociedade pelas beiradas.
Mais detalhes

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Cogito - Torquato Neto

imagem @ we heart it


eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível


eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora


eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim


eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranqüilamente
todas as horas do fim.

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